Carnaval com respeito: instituições lançam campanha contra assédio no ES

Carnaval com respeito: instituições lançam campanha contra assédio no ES

O Carnaval capixaba de 2026 começa com um recado direto: respeito não é opcional, é regra. Pela primeira vez, três das principais instituições do Espírito Santo uniram forças em uma campanha conjunta para combater o assédio e a violência contra a mulher durante a folia. OAB-ES, Tribunal de Justiça do Espírito Santo e Polícia Civil lançaram uma ação integrada para reforçar que importunação sexual não é brincadeira e que crime se denuncia.

A campanha é liderada por três mulheres que hoje ocupam cargos estratégicos no Estado: Erica Neves, presidente da OAB-ES; Janete Vargas Simões, presidente do TJES; e a delegada Cláudia Dematté, responsável pela área de atendimento especializado à mulher na Polícia Civil. A presença delas à frente da iniciativa dá peso institucional e simbólico à mensagem de que a proteção às mulheres precisa sair do discurso e virar prática.

A ação combina comunicação digital com presença nas ruas. Um vídeo institucional circula nas redes e nos canais das instituições, enquanto materiais informativos começam a ser distribuídos nos blocos e pontos de concentração de foliões. A ideia é simples e direta: lembrar, no meio da festa, que o limite do outro existe e deve ser respeitado.

Para Erica Neves, o objetivo é deixar claro que Carnaval não é terra sem lei. A presidente da OAB-ES reforça que a folia é espaço de alegria, mas também de responsabilidade. Assédio, importunação e qualquer forma de violência contra a mulher são crimes e não podem ser relativizados como “excesso de empolgação”.

Na mesma linha, a delegada Cláudia Dematté destaca que a campanha busca mudar comportamentos no ambiente real da festa. Levar a mensagem para dentro dos blocos e para o contato direto com os foliões ajuda a romper a cultura de normalização do assédio e fortalece a ideia de que toda mulher tem direito de curtir o Carnaval sem medo.

A presidente do TJES, Janete Vargas Simões, reforça que o envolvimento do Judiciário no movimento é um sinal claro de que as instituições estão alinhadas no enfrentamento à violência de gênero. A proposta é não apenas conscientizar, mas mostrar que há consequências legais para quem ultrapassa os limites.

No fim das contas, a campanha joga luz em algo óbvio, mas ainda ignorado por muita gente: Carnaval é festa, não é desculpa para invadir, constranger ou violentar. Respeito também faz parte do bloco.