Mais de 30 mil brasileiros morrem por câncer de pulmão a cada ano; especialistas alertam para detecção precoce

Mais de 30 mil brasileiros morrem por câncer de pulmão a cada ano; especialistas alertam para detecção precoce

No Dia Mundial do Câncer de Pulmão, especialista alerta que tosse persistente, falta de ar e rouquidão não devem ser ignoradas. Embora o tabagismo siga como principal fator de risco, casos entre pessoas que nunca fumaram também exigem atenção

O câncer de pulmão continua sendo um dos maiores desafios da saúde pública. Apesar da queda no número de fumantes nas últimas décadas, a doença permanece entre as que mais matam no país e ainda costuma ser descoberta em fases avançadas, quando as chances de cura são menores.

Só em 2023, foram registradas 31.237 mortes pela doença no Brasil. Para o triênio 2026-2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 35,3 mil novos casos por ano.

No Dia Mundial do Câncer de Pulmão, celebrado em 1º de agosto, especialistas reforçam que o principal desafio não está apenas em reduzir o tabagismo, mas também em reconhecer precocemente os sinais da doença. Tosse que persiste por semanas, falta de ar, dor no peito, rouquidão, perda de peso sem explicação e escarro com sangue são sintomas que precisam ser investigados e não devem ser tratados como consequências naturais de uma gripe prolongada ou de problemas respiratórios comuns.

Para a pneumologista e especialista em Medicina do Sono Jéssica Polese, muitos pacientes chegam ao consultório quando o câncer já está em estágio avançado, justamente porque os sintomas iniciais costumam ser discretos.

“O pulmão não dói. Muitas vezes a pessoa convive durante semanas ou meses com uma tosse persistente, um cansaço diferente ou uma rouquidão e acredita que aquilo vai passar sozinho. Esse atraso na investigação pode comprometer as possibilidades de tratamento”, afirma.

Embora o cigarro continue sendo o principal responsável pela doença, associado a cerca de 85% dos casos, a médica lembra que o câncer de pulmão não atinge apenas fumantes. Exposição passiva à fumaça do tabaco, poluição do ar, amianto, radônio, fumaça de motores a diesel e outras exposições ocupacionais também aumentam o risco de desenvolver o tumor.

Nos últimos anos, pesquisadores também passaram a observar um crescimento proporcional dos casos entre pessoas que nunca fumaram, especialmente do subtipo adenocarcinoma. Estudos internacionais apontam que a poluição atmosférica pode estar relacionada a esse aumento, tornando o controle da qualidade do ar uma importante estratégia de prevenção.

Segundo Jéssica, esse cenário reforça a necessidade de abandonar a ideia de que apenas fumantes podem desenvolver a doença.

“É claro que deixar de fumar continua sendo a medida mais importante para prevenir o câncer de pulmão. Mas ninguém deve ignorar sintomas porque nunca colocou um cigarro na boca. Quando existe um sinal persistente, principalmente em pessoas acima dos 50 anos ou com histórico de exposição a fatores de risco, a investigação precisa acontecer”, alerta.

O diagnóstico é feito por meio da avaliação clínica e de exames de imagem, como a tomografia computadorizada, que permite identificar alterações ainda pequenas. Em grupos de alto risco, o rastreamento com tomografia de baixa dose pode aumentar as chances de detectar tumores em fases iniciais, quando o tratamento apresenta melhores resultados.

Além de não fumar, especialistas recomendam evitar ambientes com fumaça de cigarro, utilizar equipamentos de proteção em atividades com exposição a agentes químicos ou poeiras e manter acompanhamento médico diante de sintomas respiratórios persistentes.

A mensagem do Dia Mundial do Câncer de Pulmão é que, embora seja uma doença grave, o diagnóstico precoce continua sendo uma das principais ferramentas para reduzir a mortalidade.

Foto Produzida Por IA

Texto: Giulia Reis