Callegari sobe à tribuna e puxa o debate sobre valores e coerência no Parlamento
O deputado estadual Callegari participou, nesta segunda-feira (23), de uma Tribuna Livre na Câmara Municipal de Vitória, onde conduziu uma exposição sobre liberdade e atuação parlamentar, defendendo que o papel do legislador não pode ser reduzido a uma lógica de “obra no bairro”, volume de emendas ou ranking de projetos apresentados. Para o parlamentar, o mandato deve ser medido principalmente pela coerência com aquilo que foi apresentado ao eleitor na campanha e pela liberdade de votar conforme a consciência, mesmo diante de pressões institucionais.
Em sua fala, Callegari sustentou que a política vive uma distorção quando o parlamentar é cobrado como “facilitador de serviços” ou “assistente social”, enquanto a essência do Legislativo é representar ideias, deliberar sobre leis e fiscalizar. Ele criticou a cultura que premia quantidade de proposições, argumentando que nem toda lei significa avanço – muitas vezes, significa custo, burocracia e perda de liberdade para o cidadão. “A régua correta é a coerência: por que você foi eleito e a serviço de quais valores você vota”, afirmou.
Ao responder às intervenções dos vereadores ao longo da sessão, o deputado manteve o eixo da exposição – enfrentamento no campo das ideias com diálogo sobre os meios – e ampliou o debate para temas institucionais e sociais que atravessam a vida pública. Em diálogo com o vereador Luiz Emanuel, que destacou a Tribuna Livre como instrumento de educação política e cobrou que parlamentares em Brasília discutam o país além de operar emendas, Callegari reforçou que a população precisa ser informada sobre o que está em jogo nas votações e sobre a responsabilidade de cada representante nas pautas nacionais.
Sobre a fala do vereador Dáscio Bracarense, que levantou a preocupação com o ambiente vivido por cristãos na política e com incoerências entre discursos e práticas de gestores, Callegari afirmou que o cristão não deve se omitir do debate público e defendeu que a liberdade religiosa inclui o direito de professar crenças e pregações sem criminalização indevida, desde que não haja incitação à violência. Ao mesmo tempo, reiterou que racismo é crime e que o debate deve preservar a distinção entre divergência religiosa e discriminação racial.
Na mesma linha, ao responder o vereador Ailton Dadalto, que criticou a política do “grito” e da performance em redes sociais, o deputado afirmou que o Parlamento perde quando a técnica legislativa é substituída por espetáculo e hostilidade. Para Callegari, é possível ter posicionamento firme sem renunciar o respeito institucional, sob pena de enfraquecer o Legislativo diante de outras esferas de poder.
Quando o vereador Anderson Góes defendeu o diálogo como caminho para resultados e se posicionou como centro político, Callegari reconheceu a importância de conversar sobre meios, sem abrir mão das convicções que orientam o voto. Ele sustentou que o diálogo não anula divergências; é instrumento para viabilizar soluções e evitar que o mandato vire peça de troca.
Ao comentar a fala do vereador Leonardo Monjardim, que destacou unidade da direita, renovação geracional e construção coletiva, Callegari concordou com a necessidade de reorganização política e de renovação de lideranças, defendendo que a sociedade ganhe alternativas claras e coerentes, com compromisso institucional e debate de ideias.
Já diante da intervenção da vereadora Ana Paula Rocha, que reforçou a criminalização do racismo e a importância da pluralidade religiosa de Vitória, além de cobrar foco em temas como moradia e feminicídio, o deputado afirmou que liberdade não é autorização para crime, mas que o país precisa garantir equilíbrio na proteção jurídica, incluindo o combate ao vilipêndio religioso. Ele defendeu que a tolerância pressupõe reconhecer diferenças, e que a liberdade religiosa precisa valer para todos os credos, sem seletividade.
Por fim, ao responder o vereador Armandinho Fontoura, que relacionou liberdade parlamentar a episódios de judicialização e restrições a mandatos, Callegari prestou solidariedade e defendeu que o Legislativo e a sociedade não podem normalizar interferências que, segundo ele, limitem o exercício do mandato e o direito de expressão. Para o deputado, a liberdade parlamentar é um pilar que protege não apenas um lado político, mas a própria democracia.
A Tribuna Livre terminou com o deputado reafirmando a síntese de sua exposição: coerência, liberdade e debate com respeito. “O enfrentamento deve ser no campo das ideias; os meios, negociados com responsabilidade institucional”, concluiu, ao agradecer o espaço e defender que o Parlamento volte a ser reconhecido como o lugar de discussão de sociedade – e não apenas de disputa por números.

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