Ferraço defende endurecimento da lei e quer enquadrar facções como terrorismo no Brasil
O governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, subiu o tom no debate sobre segurança pública e colocou na mesa uma proposta polêmica: tratar facções criminosas como organizações terroristas. A declaração foi feita nesta segunda-feira (27), durante a abertura do encontro nacional “Brasil Sob Ameaça – Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado”, realizado em Vitória.
A fala não foi protocolar. Foi direta e com recado claro: o modelo atual não está dando conta.
Segundo Ferraço, o crime organizado no Brasil já ultrapassou o limite da criminalidade comum e passou a operar com lógica de dominação territorial, intimidação coletiva e enfrentamento direto ao Estado — características típicas de ações terroristas, ainda que sem motivação ideológica ou religiosa.
“O crime organizado pode não ter motivação ideológica, mas pratica o terrorismo na prática: intimida, paralisa comunidades e desafia o Estado”, afirmou.
⚖️ Debate sobe de nível
A proposta de enquadrar facções como terrorismo muda completamente o jogo jurídico. Isso porque crimes dessa natureza têm punições mais duras, regras específicas de investigação e ampliam o poder de atuação do Estado.
Na prática, Ferraço está dizendo o seguinte: tratar facção como “crime comum” virou enxugar gelo.
Sem entrar em detalhes técnicos, o governador deixou claro que o país precisa de uma virada de chave — principalmente no uso de inteligência financeira para desmontar o poder econômico dessas organizações.
🧠 Pressão por ação nacional
Outro ponto importante do discurso foi a cobrança indireta ao governo federal. Ferraço defendeu maior integração e participação da União no combate ao crime organizado, sinalizando que os estados não conseguem resolver sozinhos um problema que já é nacional — e até internacional.
“A segurança pública é uma obra inacabada. Quando o crime usa o terror, o Estado precisa responder com autoridade”, disse.
🚔 Espírito Santo como vitrine
O governador também aproveitou o palco para destacar investimentos feitos no Espírito Santo, como reforço no efetivo das polícias, uso de tecnologia, inteligência artificial e reconhecimento facial.
Ou seja, além de discurso, tentou mostrar entrega.
📌 O que vem pela frente
O evento segue até terça-feira (28) e deve resultar na chamada “Carta de Vitória”, um documento com propostas concretas para enfrentar o crime organizado no país.
A ideia é que esse material sirva de base para mudanças legislativas e políticas públicas mais duras.
Foto: Fabrício Lima

Jornalista e corretora ortográfica. Atua na revisão, padronização e produção de conteúdo jornalístico, com experiência em rede de notícias e assessoria de imprensa, assegurando clareza, precisão e credibilidade da informação.


